Após pouco mais de três anos à frente de um dos postos mais desafiadores da República, Fernando Haddad encerra seu ciclo no Ministério da Fazenda. O movimento não é um adeus, mas um reposicionamento estratégico: o agora ex-ministro desembarca em São Paulo para liderar o palanque do governo federal no maior colégio eleitoral do país.
Para o empresariado e para o contribuinte, a questão central foge do campo ideológico e entra no pragmático: qual é o saldo real da “Haddadnomics” para o bolso do brasileiro?
Os Trunfos: Onde a Gestão Haddad Surpreendeu
Ao assumir em janeiro de 2023, o cenário projetado pelo mercado financeiro era de um crescimento pífio (0,8%). Contudo, os números finais contam outra história:
-
Crescimento do PIB: Média de 3% ao ano, superando as expectativas iniciais em quase quatro vezes.
-
Emprego Histórico: Haddad deixa a pasta com o desemprego em 5,6%, o menor nível da série histórica do IBGE.
-
Reforma Tributária: A aprovação da simplificação dos impostos sobre o consumo, um pleito de décadas do setor produtivo.
-
Desenrola Brasil: Programa que renegociou R$ 53 bilhões em dívidas, limpando o nome de 15 milhões de cidadãos.
Nota: Para o mercado, Haddad atuou como o “adulto na sala”, equilibrando as pressões políticas por gastos com uma busca técnica por estabilidade macroeconômica.
Os Pontos Críticos: Arrecadação e Juros Altos
Se os indicadores macroeconômicos brilham, a microeconomia e o custo operacional das empresas enfrentam sombras. A estratégia para zerar o déficit focou menos no corte de despesas e mais no aumento agressivo da arrecadação.
-
Carga Tributária: Foram registrados 28 aumentos ou criações de impostos (média de um novo tributo a cada 37 dias).
-
Taxação do Consumo: O episódio da “taxação das blusinhas” (20% sobre compras até $50) tornou-se o símbolo do desgaste com a classe média.
-
Dívida Pública: Saltou de 71,7% para quase 79% do PIB em três anos.
-
Taxa Selic: Com os juros reais em patamares elevados (15%), o crédito caro continua sendo o principal gargalo para o investimento privado.
O Veredito de São Paulo: O Laboratório Eleitoral
Haddad agora utiliza seu “cartão de visitas” da Fazenda para convencer os 34,4 milhões de eleitores paulistas. A chapa, que deve contar com Simone Tebet para o Senado, aposta na imagem de moderação e competência técnica.
O embate em São Paulo será o teste final da aceitação popular de sua política econômica. O eleitor terá de decidir: o legado de Haddad é uma credencial de eficiência ou um alerta sobre o aumento do peso do Estado?

0 comentários